Aqui Jaz (parte2).

Eu não sei dizer se o que sinto é saudade de tê-lo e pertencer a você ou apenas falta. É que quando vi sua mudança de relacionamento senti uma agulhada quase quis chorar, mas não escorreu pelo rosto lágrima sequer. Acontece que não parei de pensar em seu grande-novo-passo.  Foi muito instantâneo, não era de se esperar uma bordoada dessas. Sei que faziam dois meses e meio sem que saísse de seu antigo-novo-atual Estado e que havíamos (com certa demora) processado o fim daquilo-sem nome-estranho-alguma coisa que tínhamos.  Pode soar egoísta, mas incomodou saber que sua vida seguiu pouco menos (ou bem menos) cinza que a minha.

Se me conhece bem sabe que não sei lidar com perdas, nem ganhos. Vivo na defensiva. Por isso tentei fugir de todas as formas da vontade de partilhar todos aqueles sorrisos amarelos com você.  O foda é que contigo tudo é impossível: fugir e permanecer. Não fui e nem fiquei. Você quem mudou de endereço, ar, convivência e garota. Eu mudei poucas certezas; escasso.

Hoje piscou sua janela na minha timeline e você dizia estar com saudade, eu disse o mesmo. Tenho sua amizade. No bom ou no ruim, sou grata a isso. A questão é que do lado de cá chorei, foi como levar outra agulhada, mesmo que fora dito algo que as pessoas gostam de saber hás vezes. É que foi justamente para uma amiga e não para aquela pessoa que um dia te tocou com outra feição e fórmula. Cravei mais um buraco e cavei fundo até ocultar aquela sensação terrível de: “Foi. Mais um, pra sempre.“ 

Concluo que fomos uma bela combinação de xícara e café. Eu o café você a xícara que por falta de atenção e sem prévio, se quebrou.  Não há conserto e sessou o café. Então seguimos cada qual a sua maneira. Sei que ainda saberemos muito sobre o outro e que ainda vamos nos encontrar por ai. Existem as coisas que não vão mudar como nós sabermos o bem que fazemos um ao outro. Vamos conversar, você vai contar se na sua cidade tem feito frio ou calor, depois vai embora e 
fico sem saber se foi porque quis ou porque devia. Não faz diferença. Tivemos nosso tempo e ele expirou. O cronômetro apitou “fim”, não tinha mais o que ser feito a não ser aceitar. Aceitei. 

                                                                    - Cristiane Oliveira.  



Pashi.

Eu queria que todos aqui soubessem o que significa a paixão. Mas pra isso vocês teriam que comer quarenta e sete sushis em apenas um minuto. É claro que não iriam conseguir, mas a tentativa faria com que notassem a frustração interna de ter na sua frente uma quantidade horrenda, um tempo determinado e a vontade, mas não ter como ingerir. Tudo vai depender da tua fome, conforme vai sua busca interior por isso mais sushis você vai ter que tentar pra entender o que você está sentindo. Tem gente que nos dez sushis leva ouro, entende perfeitamente, rabisca o papel e mete fogo. Uma vez eu ouvi dizer que tinha um cara lá em Pontal das Cruzes que conseguia dezoito, eita cabeça boa. Com essa compreensão você não só entende que comer de pauzinhos é pica porque aumenta o nível de dificuldade mas também todas as vezes que você tentou e era paixão, porque a paixão é otimista, ela tenta até que você consiga. Enquanto estiver tentando estará apaixonado. Se algum dia você conseguir então não é mais paixão, é amor. Mas ai a gente teria que encarar mil e novecentos sushis só pra começar a entender o amor. É contigo. 
                                                                    -R.Sigma. 






Anti-Herói.

  • – Talvez fique um pouco difícil enxergar agora, mas eu meio que salvei você, sabe? – eu jogo panos quentes, e ela solta uma gargalhada irônica e altamente inadequada para os padrões desse tipo de conversa.
  • – Hã? Você só pode estar brincando. Me salvou de quê?
  • – De mim. Não é fácil explicar. Eu sou assim, meio morto por dentro. Faço as coisas por empolgação e no outro dia, sei lá. Sou dessas pessoas que ficam procurando as canções no rádio até achar um clássico, algo perfeito para aquele horário do dia, aquele semáforo. A música acaba e eu troco de estação.
  • – Quer saber? Cale a boca. Eu sei que você está tentando se justificar, mas só está piorando as coisas.

‎”Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada “dois em um”: duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém.”
                                                                    - John Lennon


“Que ninguém siga a vida indo contra o próprio sonho.”
— Alan Vieira (via awvieira)